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segunda-feira, 17 de março de 2014

Como chegar no Inhotim

O Instituto Inhotim é um daqueles lugares que não podemos deixar de visitar. É um museu de Arte Contemporânea integrado a um exuberante Jardim Botânico. Está localizado a 60Km de Belo Horizonte, no município de Brumadinho.
Tivemos o privilégio de visitar este surpreendente lugar em um fim de semana que a família estava reunida, na capital mineira, para participar da formatura de um sobrinho. Reservamos o domingo para este passeio.Todos ficaram maravilhados, orgulhosos de conhecer este incrível museu de arte contemporânea a céu aberto, composto por um acervo de grande importância nacional e internacional.

Como chegar a Inhotim

Há várias maneiras de se chegar a Inhotim, inclusive de transporte público. A empresa Henrik Tour faz passeios regulares para o museu com guias especializados e credenciados pelo cadastur.

É impossível descrever as sensações que esta visita proporciona a cada visitante. Esta matéria é somente para estimulá-lo a conhecer esta maravilha visitada anualmente por quase 250 mil pessoas.


Inhotim é um lugar em contínua transformação, onde a arte convive em relação única com a natureza. Situado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, Inhotim ocupa uma área de 97 ha de jardins botânicos com uma extensa coleção de espécies. Centro de arte contemporânea.
Conheça o Inhotim com a Henrik Tour 


domingo, 16 de março de 2014

Dança contemporânea no Inhotim


Foi pensando na mulher e em sua relação com o espaço que a coreógrafa e dançarina francesa Cecile Proust desenvolveu o espetáculo femmeuseposturalE. Contando com um grupo de dançarinas profissionais e amadoras de diferentes gerações e origens, as performances exploram, por meio da dança contemporânea, questões como a construção do gênero feminino. Pela terceira vez em Minas Gerais, Cecile faz agora os ajustes finais para as apresentações que serão realizadas esta semana no Inhotim, nos dias 14 e 15 de março.

Cecile Proust – De início, o Femmeuse evoca a questão do gênero, do feminismo, da arte e as ligações que se pode fazer entre esses pontos. As performances apresentadas emfemmeuseposturalE são uma resposta feminina à peça do coreógrafo francês Fabrice Ramalingom, Postural: études, criada para um grupo de 15 homens. Elaboramos esse trabalho com coreografias apresentadas apenas por mulheres. Dentro dele, podemos encontrar influências de Odile Duboc [diretor francês] e do diretor americano Bob Wilson, com quem já trabalhei. Há diversas outras, mas a pintora e escultora brasileira Lygia Clark, também trouxe muitas referências.

CP – É difícil definir exatamente a mulher na sociedade atual, já que são milhões delas e tão diferentes entre si. Acredito que todos devemos simplesmente deixar a palavra e o espaço livre para elas. Cada mulher deve poder se expressar das diversas maneiras possíveis que é capaz. Então, devemos abrir esse espaço e deixar emergir o invisível de dentro delas. O espetáculo explora justamente isso, a liberdade do movimento da mulher dentro do espaço ocupado por ela.

CP – Nós buscamos justamente esses diferentes corpos trabalhando pela dança, e não apenas um. Dessa forma, podemos fazer emergir diferentes experiências e efeitos e observar como os corpos dessas mulheres se misturam uns com os outros durante a coreografia. Essa relação do profissional com o amador torna a apresentação única, diferente em cada movimento, e isso se reflete tanto para os bailarinos quanto para o público.

BI – Como é ter o Inhotim como cenário para essa apresentação?

CP – É formidável. Esse lugar é realmente incrível. Além disso, trabalhar coreografias que envolvam as obras Desert Park (2010), de Dominique Gonzalez-Foerster e Piscina (2009), de Jorge Macchi, como iremos fazer, é ainda mais interessante, já que ambas têm um impacto muito grande sobre o corpo, a energia e o próprio espaço. Mas, claro, todo o Inhotim é excepcional e nos causa um encantamento já de cara. Lembro-me de que na primeira vez que viemos aqui, em 2012, eu e Jacques [Hoepffner, artista visual e parceiro na elaboração do espetáculo] tivemos apenas meio dia para visitar o parque. Mas mesmo com a rápida passagem, olhamos em volta e falamos “uau!”, queremos desenvolver algum projeto aqui. Hoje isso está sendo possível.


Um laboratório emocional e intelectual, onde novas coisas vão surgindo. Essa foi a idéia de Bernardo Paz ao criar o Inhotim. Entre o acaso e o plano, o museu surgiu da paixão de uma única pessoa pela arte contemporânea e pela necessidade de tornar essa paixão algo de interesse público. Bernardo, caracterizado por muitos como um sonhador, começou com uma coleção de arte moderna. Depois de conhecer artistas como Tunga e Cildo Meireles se encantou pela arte contemporânea. “Quando comprou uma obra do Tunga, que não coube na sala, ele começou a ter que construir e se viu com um museu dentro de casa. O sucesso o embriagou e hoje o Inhotim é a vida dele”, explica o economista Cláudio Moura Castro.

“Estou fazendo um museu”, disse Bernardo Paz a seu amigo Cláudio — hoje membro do conselho de administração e presidente do conselho consultivo do Inhotim —, que ficou curioso, mas não imaginava a dimensão da proposta. “Aí eu fui lá, me apaixonei e propus a ajudá-lo”, comenta. Inhotim foi idealizado em 1984 quando recebeu a visita do renomado paisagista Roberto Burle Marx, que apresentou algumas sugestões e colaborações para os jardins. Desde então, o projeto paisagístico cresceu e passou por várias modificações.

Em 2002, foi fundado o Instituto Cultural Inhotim que, em 2008, se transformou em uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP. Inhotim ampliou sua presença como museu se tornando uma instituição que reúne diferentes linhas de atuação: Arte contemporânea, Jardim Botânico, Inclusão e cidadania. “Quando eu vi a combinação entre arte e natureza eu achei espetacular. A semente de um grande centro de arte e educação. Um grande núcleo de lazer e cultura”, afirma Claúdio.

Hoje, o Inhotim é a única instituição brasileira que expõe um acervo de arte contemporânea permanentemente. “Os artistas falaram que esse projeto só teria a relevância que Bernardo estava imaginando, se fosse um projeto público e profissional. Organizado não só por interesses e gostos particulares, mas entendendo a potência desse lugar para uma coleção artística e tentar cristalizar isso em uma linha curatorial”, completa o diretor artístico do Inhotim, Jochen Volz.

O Inhotim é um lugar que você precisa ir sem pré conceitos , não imagine um quadro perfeito , em constante mudança o lugar propõe coisas do cotidiano , do dia a dia do ser humano .
o legal do Inhotim é a sintonia da arte com o ambiente natural .


A Henrik Tour faz passeios regulares para o Inhotim





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Inhotim de arte contemporânea e Jardim botânico







É difícil escapar do superlativo para falar de Inhotim. “O maior museu a céu aberto do mundo” exala grandiosidade por cada metro quadrado. De cara, parece a Xanadu de Charles Foster Kane, a fortaleza do personagem vivido por Orson Welles no clássico “Cidadão Kane”, de 1941. Esta foi a primeira impressão que tive ao pisar lá, em 2011. No caso, o nosso Charles Foster Kane é o empresário Bernardo Paz, 63 anos, bilionário da siderurgia. Especulações afirmam que Inhotim tenha consumido mais de R$ 500 milhões, num espaço de mais de 2.000 hectares, com a maior coleção de palmeiras e uma das maiores coleções botânicas do Brasil, espaço que abriga obras de 500 artistas brasileiros e estrangeiros, recebeu mais de 250 mil visitantes em 2011, tem mais de 1.000 funcionários e deve receber um complexo que envolve 10 hotéis, anfiteatro para 15 mil pessoas, um aeroporto e até “lofts” para quem quiser viver lá.



Em pouco tempo, Inhotim se tornou um dos destinos turísticos mais visitados do Brasil, transformando a economia de Brumadinho, que fica a 60 km de Belo Horizonte. Bernardo, o estereótipo do que podemos chamar de “excêntico”, tem opiniões fortes sobre a arte moderna em contraposição à arte contemporânea. Segundo ele, nesta entrevista:


“A arte passou por cem anos em que não se transformou em processo educativo nem cultural. Quem era Picasso? Um devasso que gostava de mercado, gostava de comércio, ia à galeria e perguntava qual quadro estava vendendo mais. Aí, fazia mais dez. Assim foi a arte moderna. Não ensinou nada a ninguém.”



Já a contemporânea seria uma arte crítica:


“Aí, entrou Duchamp, primeiro exemplar da arte contemporânea. Entrou com uma curiosidade, a arte passou a ser uma curiosidade. E, da curiosidade, ela passou à crítica. Hoje, toda a arte contemporânea é crítica. Em todos os sentidos: crítica na ecologia, na religião, na situação política, nas questões sociais. Ela exalta os benefícios criados, critica e destrói a sociedade atual, tentando criar uma sociedade melhor. Você passa por Inhotim e entra no Através. O que é o Através? Uma simplificação das dificuldades da vida. Você pisa em cacos de vidro, vai atravessando um monte de obstáculos para chegar ao outro lado. O que significa isso? Você enxerga o outro lado, mas não vai reto.”

Há boas matérias com Bernado Paz


De fato, a arte contemporânea busca o choque, o confronto, quer criticar, refletir, induzir a uma experiência legítima, um happening, quer que você se envolva com ela, experimente o que ela consegue provocar. Neste sentido, para uma arte que demanda tanto espaço e se relaciona diretamente com o ambiente em que está inserida, Inhotim é perfeito. Já que várias instalações e obras foram pensadas exatamente para aquele lugar.



Na ânsia desesperada em provocar, no entanto, a arte contemporânea também é frívola, rasteira, extremamente pretensiosa e vazia. “Restore Now”, do suiço Thomas Hirschhorn, recentemente incorporada numa nova galeria de Inhotim, reúne ferramentas de oficinas em tamanho família, reproduções de livros de filósofos como Derrida, Deleuze, Foucault e outros, imagens de corpos mutilados e uma crítica infantil na imagem do próprio artista dançando atrás de um manequim com um livro gigante de Foucault do lado. A “paródia”, a “provocação”, mesmo a “zombaria”, neste caso, serve para um tipo de “arte” que se perde exatamente no que tenta abordar.



Há diálogos incessantes com a morte, a grandiosidade, o megalomaníaco, as barreiras – Tunga, Cildo Meireles – os medos e anseios, a nossa relação conturbada com a natureza – Giuseppe Penone, Chris Burden – a carne, as vísceras e o mítico – Adriana Varejão – o abstrato, a potência e o poder do som – Cardiff & Miller – a cosmococa de Hélio Oiticica e seu convite a mergulhar – literalmente – na cultura pop do século XX, seja na piscina amarela com John Cage de fundo, seja nas redes, colchões e espumas com Jimi Hendrix e Luiz Gonzaga. E muito mais.



Como reflexo da arte contemporânea, as galerias, os morros, as instalações e a natureza exuberante de Inhotim são um coice e um engodo. Um mimo para a classe A que se converteu em inevitáveis projetos para a comunidade. A megalomania de um bilionário excêntrico que gosta de arrotar pobreza (vide entrevistas). Você não sai ileso de Inhotim, claro. É o reino do paradoxo em que estamos metidos no século XXI. Te atrai e te suga para uma experiência sem volta. É belo, caótico, profano e reverente. Distorce símbolos tradicionais apenas para explorá-los. Te pega pela jugular e te faz sentir num jardim irreal, numa experiência que, em última instância, você é a própria cobaia da arte.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

AGENCIA DE TURISMO RECEPTIVO DE MINAS GERAIS - MUSEU INHOTIM

Minas Histórica – Cultural com BH- 05 dias e 04 noites

1 dia – Confins – Congonhas – Tiradentes
2 dia – Tiradentes – Ouro Preto com visita a São João Del Rei.
3 dia – Ouro Preto e Mariana
4 dia- Ouro Preto – Inhotim – Belo Horizonte
5 dia – Transfer CNF.





31 94316649
31 85992160
contato@henriktour.com

Inhotim Brumadinho - Agencia de turismo receptivo Henrik Tour



Inhotim é um lugar em contínua transformação, onde a arte convive em relação única com a natureza. Situado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, Inhotim ocupa uma área de 97 ha de jardins botânicos com uma extensa coleção de espécies. Centro de arte contemporânea.






Endereço: Rua B, 20 - Entorno de Belo Horizonte
Complemento: Brumadinho

Telefone: 31 41416726
31 94316649
31 85992160



Site: http://www.henriktour.com/

E-mail: contato@henriktour.com

Horário de Funcionamento: 3ª a 6ª das 9h30 às 16h30, sáb., dom. e feriados 9h30 às 17h30



Informações Adicionais:

O Instituto Inhotim foi idealizado pelo empresário Bernardo Paz em meados da década de 1980. Em 1984, o local recebeu a visita do renomado paisagista Roberto Burle Marx, que apresentou algumas sugestões e colaborações para os jardins. Desde então, o projeto paisagístico cresceu e passou por várias modificações.

A propriedade particular foi se transformando com o tempo. Começava a nascer um grande espaço cultural, com a construção das primeiras edificações destinadas a receber obras de arte contemporânea. Ganhava vida também o rico acervo botânico, consolidado a partir de 2005 com o resgate e a introdução de coleções botânicas de diferentes partes do Brasil e com foco nas espécies nativas.

O acervo artístico do Inhotim compreende cerca de 500 obras de mais de 100 artistas de 30 diferentes nacionalidades. Com foco na arte contemporânea produzida a partir dos anos 1960 até os nossos dias, o acervo abrange escultura, instalação, pintura, desenho, fotografia, filme e vídeo.

Por razões históricas, o acervo botânico do Inhotim é hoje melhor representado por grupos com valor paisagístico, mas apresenta uma boa representatividade filogenética. Ao todo, são mais de 4.700 acessos, representando 181 famílias botânicas, 953 gêneros e aproximadamente 4300 espécies de plantas vasculares. Tamanha diversidade faz do Inhotim um espaço único, tornando-o um excelente ambiente para a difusão de valores ambientais.

Tem novidade nas galerias do Instituto de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho. A partir de amanhã, os visitantes poderão conferir novas pinturas, instalações e vídeos criados por 20 artistas brasileiros e estrangeiros. É a maior troca de acervo já realizada em sete anos – quando o Inhotim passou a abrir as portas para a visitação pública.



“É uma pluralidade de formatos, com exposições mais históricas, trabalhos em grande escala e a apresentação de artistas atuais. Em comum, é um grande compromisso com a arte”, destaca um dos curadores, Rodrigo Moura.



Uma das novas atrações é a seleção “Mineiriana”, com pinturas do venezuelano Juan Araujo, entusiasta da arquitetura modernista e do barroco mineiro. Seu ponto de partida foi justamente em uma das obras mais visitadas do artista plástico Hélio Oiticica, instalada nos jardins do museu.

Suas pinturas dialogam com elementos gráficos e históricos ao recriar, por exemplo, a capa de um exemplar da renomada revista “Barroco” – editada nos anos 1970 por Affonso Ávila e Eduardo de Paula para divulgar os estudos mais recentes sobre esse estilo em campos como as artes plásticas e a literatura.

“São as relações entre o barroco e modernidade, o antigo e o tradicional”, ressaltou Juan, ontem à tarde, enquanto definia os últimos detalhes para a inauguração da mostra, abrigada na Galeria Mata.

Nesse mesmo espaço, em uma sala ao lado, estão instalações e vídeos produzidos pela cineasta franco-americana Babette Mangolte a partir da observação dos processos criativos de outros artistas. Até o dia 3, alguns de seus filmes serão exibidos de graça no Memorial Minas Gerais Vale (Praça da Liberdade), inclusive com a presença da artista para sessões de bate-papo.

Nove telas conceituais pintadas pelo paulistano Luiz Zerbini na última década também são novidade nesta ampliação do acervo e estão espalhadas pela Galeria Praça. Obcecado por elementos da natureza e por quadrados, sua obra leva à reflexão.

Na Galeria Fonte, elementos do cotidiano são ressignificados por 14 artistas no coletivo “Natureza Morta”. São novas perspectivas e sentidos para bancos, vassouras, mesas de cozinha e decorações de banheiro – com destaque para as 13 cadeiras que se intercalam na obra “Puente”, de Damián Ortega. Por fim, a Galeria Lago receberá trabalhos do baiano Marepe e da espanhola Sara Ramo.

E a expansão no Inhotim não para. Em breve, o Instituto pretende inaugurar dois pavilhões dedicados ao trabalho de artistas selecionados pela curadoria e uma luxuosa pousada com 40 bangalôs.









terça-feira, 14 de janeiro de 2014

INHOTIM

Museu de novidades
O Inhotim Instituto de Arte Contemporânea, em Minas Gerais, rompeu tanto com os moldes de museu que virou um Jardim Botânico. Conheça uma proposta artística única num lugar sem igual.
Por Por Renata Valério de Mesquita


O projeto surgiu com jeito mineiro. Foi aos poucos sendo divulgado pelo boca a boca, cresceu, encorpou e atualmente recebe 200 mil visitantes por ano, de todas as nacionalidades. Virou uma instalação de referência no mundo das artes. Localizado a 60 quilômetros de Belo Horizonte, na cidade de Brumadinho, o Inhotim Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico propõe uma quase revolução: mudou a concepção de museu que se tinha até agora, mudou o entendimento - ou a falta dele - que o grande público tem da arte contemporânea e também está ajudando a mudar a comunidade local.


Criado em meio a uma paisagem que reúne 4.500 espécies de plantas e cinco lagos ornamentais, distribuídos por quase 5,5 km2, esse museu a céu aberto conquistou o título oficial de Jardim Botânico em 2011. Do total do terreno, localizado em uma área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, mais da metade é de vegetação nativa preservada, 1,5 km2 é Reserva Particular do Patrimônio Natural e 1 km2 está aberto à visitação.

Nesse espaço encontram-se, ao ar livre, esculturas e intervenções artísticas em pequena, média, grande e gigantesca escala. Quatro pavilhões - de 1.000 m2 cada um - estão reservados a exposições temporárias, e mais um está em construção. Treze galerias foram projetadas para abrigar obras permanentes dos artistas Tunga, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco, Hélio Oiticica, Neville D'Almeida, Adriana Varejão, Doris Salcedo, Victor Grippo, Matthew Barney, Rivane Neuenschwander, Valeska Soares, Janet Cardiff & George Miller e Doug Aitcken.



Elevazione, de Giuseppe Penone.

Inmensa, de Cildo Meireles.

Beehive Bunker, de Chris Burden.

Fuscas da obra Troca-Troca, de Jarbas Lopes



O acervo do centro possui 500 obras de 100 artistas. Começou com a coleção particular de Bernardo Paz, empresário do setor siderúrgico, dono da empresa Itaminas, produtora de ferro gusa e reflorestamento, que em 2004 passou a receber visitas agendadas na sua propriedade. Dois anos depois, foi aberto para o público em geral. Há oito anos a proposta apresentada atualmente não estava formulada. Nem mesmo hoje está concluída. "A própria prática leva à concepção do Inhotim. Ainda não chegamos à forma final. Aos poucos vamos consolidando ideias que surgem, principalmente, do contato com os visitantes", diz Maria Eugenia Salcedo Repolês, coordenadora de Arte e Educação.

Natureza e arte

Essa evolução constante está presente em algumas das novas obras inauguradas em outubro de 2011. A mineira Marilá Dardot montou A Origem da Obra de Arte com 1.500 vasos de cerâmica em forma de letras, produzidos por artesãos da região. A instalação não só permite que o público toque na obra como o convida a "plantar" palavras e frases postas à disposição para a inteiração. Em Elevazione, escultura do italiano Giuseppe Penone, a réplica em bronze de uma castanheira centenária foi apoiada em quatro árvores que a fa- Acima, da esquerda para a direita, De Lama Lâmina, de Mathew Barney; estátua de Edgard de Souza em meio ao parque; ao fundo, Boxhead, de Paul McCarthy. À esquerda, o Sonic Pavillion, de Doug Aitken, que revela sons da Terra. Abaixo, um dos bancos de madeira de Hugo França; e A Bica, de Marepe. rão "crescer". Num dos pontos mais altos do terreno, o norte-americano Chris Burden construiu o forte Beehive Bunker com tradicionais sacos de cimento da construção civil que, expostos às intempéries, irão se desgastar com o tempo e virarão estrutura de concreto.

Da esquerda para a direita, De Lama Lâmina, de Mathew Barney; estátua de Edgard de Souza em meio ao parque; ao fundo, Boxhead, de Paul McCarthy. À esquerda, o Sonic Pavillion, de Doug Aitken, que revela sons da Terra. Abaixo, um dos bancos de madeira de Hugo França; e A Bica, de Marepe.



Outros casos emblemáticos em que as obras de arte interagem com a natureza e se modificam permanentemente são: Narcissus Garden, de Yayoi Kusama, formado por 510 esferas metálicas movidas pelo vento no espelho d'água que ocupa o teto de uma das galerias; e Sound Pavilion, de Doug Aitken, que permite escutar os sons das entranhas da Terra, em tempo real, graças a um poço de 200 metros de profundidade, onde foram colocados microfones de alta sensibilidade.

"O maior diferencial de Inhotim é fazer arte e natureza dialogarem, se envolverem entre si", arremata Laura Neres, coordenadora do Núcleo de Educação Ambiental. Além de usar esse diferencial como instrumento para o trabalho, ela e a equipe de educação ambiental contam ainda com uma área especial de 25.000 m2, o Viveiro Educador. O conjunto é composto pelo Jardim dos Sentidos, de plantas medicinais, aromáticas e tóxicas; pelo Bosque da Juçara, que recria a Mata Atlântica; e pela Estufa Equatorial, que reproduz o microclima de uma floresta tropical, onde está exposta uma das joias do jardim botânico: a "flor-cadáver" (Amorphophallus titanum), a maior e mais malcheirosa espécie de flor do mundo.



Arte da inclusão

Apesar da estrutura voltada ao conhecimento e à pesquisa, faltam em Inhotim iniciativas de sustentabilidade ecológica, como a coleta seletiva do lixo. "Não adianta fazer algo para 'inglês ver'; não temos galpão para triagem do lixo reciclável, ainda", confessa Laura. "Fazemos sensibilização ambiental. Não conscientizamos ninguém, porque as pessoas mesmas é que elaboram isso, esse é um processo interior. A gente só sensibiliza. Quem conhece cuida, se apropria e valoriza."

Baseada nessa ideologia, a comunidade local, desde o princípio do projeto, vem sendo trazida para participar do museu a céu aberto. Dos 700 funcionários que mantêm a estrutura do local funcionando, 95% são das vizinhanças, mais da metade é de Brumadinho e o restante, da região metropolitana de Belo Horizonte.

Brumadinho possui 33 mil habitantes, segundo o Censo de 2010. Originou-se de um quilombo e se desenvolveu em torno da estação de trem, criada para transportar os minérios das redondezas. A versão mais provável para o nome de Inhotim deriva da possibilidade de as terras terem pertencido a um inglês de nome Tim, que, conforme uso e costume da região, era chamado "Nhô Tim". Algumas instalações da antiga vila foram mantidas, como a marcenaria que hoje abriga um relógio de sol, obra do argentino Victor Grippo, em que mesas marcam as horas, mostrando a evolução de um trabalho ao longo do dia.

Da esquerda para a direita,estátua sem título, de Edgard de Souza; e detalhe do totem Gui Tuo Bei, de Zhang Huan. Ao lado, parte do painel Abre a Porta, de John Ahearn e Rigoberto Torres. Abaixo, instalação Através, de Cildo Meireles. Na página ao lado, a Galeria Miguel Rio Branco, destinada a fotos e vídeo.



Bernardo Paz, fundador e integrante do Conselho de Administração do Instituto Inhotim, acredita que o museu- jardim é uma instalação que ajuda as pessoas a crescer mentalmente. O programa "Inhotim para todos" é um forte empenho nesse sentido, pois leva comunidades carentes para o centro de arte. Diariamente, 400 crianças da periferia visitam o espaço. Por meio da diretoria de Inclusão e Cidadania, criada em 2007, o instituto vai ao encontro da comunidade local, trabalhando ao seu lado em três frentes: revitalização musical, artística e cultural do Vale do Rio Paraopeba; desenvolvimento comunitário, visando à geração de renda; e recuperação e valorização da memória do Vale.

"Inhotim representa também a possibilidade de profissionalização em arte", destaca Maria Eugenia. Em parceria com o museu britânico Tate Modern, o museu desenvolve atualmente um trabalho de formação contínua. Cerca de 20 jovens de 12 a 16 anos pesquisam sobre arte em dois encontros por semana. Em setembro de 2012, acontecerá o encontro dos dois grupos. Se a arte contemporânea costumava ser pouco atraente aos olhos do grande público, era porque ela ainda não havia encontrado um lugar como Inhotim.



"Isso aqui nunca acaba"

"Tudo começou com uma viagem a Acapulco", conta Bernardo Paz, dono das terras, idealizador do parque e presidente do Conselho de Administração do Instituto Inhotim. "No balneário mexicano, vi um muro enorme. Subi para descobrir o que havia do outro lado e me deparei com um jardim extraordinário. Havia uma orquestra tocando, um lago enorme e um monte de gente dançando. Essa experiência marcou minha vida."

Em dado momento, o empresário resolveu se afastar das empresas e colocar profissionais à frente da condução dos negócios. Já havia adquirido a fazenda Inhotim e resolveu fazer um jardim. "Tornei-me amigo do paisagista Roberto Burle Marx, que tinha muito bom gosto e era inteligente. O jardim cresceu e eu passei a me interessar por arte. A partir de uma conversa com o artista brasileiro Tunga, percebi que a arte tem de ser política, instrutiva e interativa. E para isso precisava de espaços grandes." Para Paz, é problemático instalar obras enormes e interativas em museus dentro de cidades. "Intuitivamente, fui construindo os pavilhões e colocando as obras, e trazendo artistas para escolherem onde queriam colocá-las."

Depois de algum tempo, o empresário conta que, como museu e jardim botânico, passou a achar Inhotim elitista. "Vi que precisava introduzir conhecimento e fui buscar pessoas para ampliar as ações sociais nas artes, no ambiente e na produção de conhecimento. Não sei qual vai ser o próximo passo. Isso aqui não acaba".

terça-feira, 29 de outubro de 2013

INHOTIM OBRAS DE ARTE



Situado no município de Brumadinho, o Inhotim ocupa uma área de 35 hectares de jardins, parte deles criado pelo paisagista Burle Marx, com uma extensa coleção botânica de espécies tropicais, bem como um acervo artístico.

O Parque Ambiental de Inhotim é dedicado quase em sua totalidade às espécies ornamentais raras do Brasil e do mundo e são mais de 300 obras de diferentes artistas, espalhados em seus pavilhões.

Além de reunir a arte com a natureza, ainda revela um ambiente de beleza inigualável. Venha conhecer!

Horário de funcionamento: Terça a sexta: 09:30 às 16:30hs
Sabado e Domingo: 09:30 às 17:30hrs

Tour Inhotim Arte e Belza – 01 dia
Permanência no museu: em torno de 06 horas

Por possuir uma área de visitação muito extensa, passaremos o dia no Inhotim.
Sairemos pela manhã em torno de 09hrs e retornaremos à tarde.
No museu existe restaurante com buffet como almoço à la carte e lanchonetes.
Faça sua cotação : 

(31) 41416726
(31) 94316649 
(31) 85992160 
henriktour@hotmail.com

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Hotel em Inhotim



O vice-prefeito de Belo Horizonte, Délio Malheiros, Eduardo Gribel ao centro, e o secretário de Estado de Governo, Danilo de Castro



Com diária estimada em R$ 1.500, o hotel de Inhotim, em Brumadinho, tem inauguração prevista em 2014. O hotel que tem um conceito de vila, terá 43 casas, com capacidade para duas pessoas, e uma vila – apartamento de 450 m² , com dois quartos. O projeto do hotel butique prevê piscina, espaço para eventos empresariais e sociais, e restaurante. “Tudo isso, explorando o lado sensorial do visitante”, diz a assessoria do museu. O projeto é da arquiteta Freusa Zechmeister.




Brumadinho
No Instituto Inhotim, 53 empresários de restaurantes, hotéis e pousadas de Brumadinho e cidades vizinhas se reuniram ontem para formar a segunda turma de capacitação. É a Rede de Empresários, criada em parceria do Inhotim com Sebrae-MG e o município, para organizar o planejamento de ações sobre o que precisa ser melhorado em Brumadinho. No ano passado, Inhotim recebeu 300 mil visitantes.





(31) 94316649 - 85992160
henriktour@hotmail.com


segunda-feira, 17 de junho de 2013

INHOTIM IMPRESSIONANTE - HENRIK TOUR

O que é o Inhotim? Um enorme museu a céu aberto? Um jardim botânico com obras de artes espalhadas por todos os lados? Ou um parque temático cultural, uma espécie de Disneylândia cabeça? Embora existam várias denominações, o nome oficial é Centro de Arte Contemporânea, termo que, para mim, ainda não define exatamente o Inhotim. Assim como nos referimos a qualquer palha de aço como Bombril, e todo aparelho de barbear como Gillette, talvez o nome Inhotim seja utilizado no futuro para designar espaços culturais semelhantes. Imagino até mesmo uma conversa entre amigos:
- Rapaz! Eu visitei um Inhotim sensacional na França!
- É mesmo? Mas igual ao nosso?
- Não, igual ao nosso não existe! Mas era um baita Inhotim.
São várias as características que tornam o Inhotim um lugar singular. Um delas é a relação de perfeito equilíbrio entre as obras, galerias e o espaço onde estão inseridas. Ao contrário da maioria dos museus, que dispõem suas coleções em longos e sucessivos corredores, lá as obras são posicionadas estrategicamente em pontos diversos do belíssimo Jardim Botânico de 97 hectares, cuja boa parte foi desenvolvida com a colaboração do paisagista Burle Marx. Essa peculiaridade permite ao público uma pausa providencial na visitação às obras, pois evita uma overdose de informações e sensações, além de possibilitar a melhor compreensão do que foi visto antes de passar à próxima atração.
Inhotim
A bela paisagem natural do Inhotim.
Outra interessante característica é que não existem roteiros predefinidos para a visitação no Inhotim. A proposta é que o visitante entregue-se livremente ao museu, experimente e descubra cada percurso e encante-se com a sinergia latente entre a arte e a paisagem. Durante o trajeto, logo após um lago, uma árvore frondosa e até mesmo no meio do mato, as obras e galerias surgem inesperadas. Evidentemente, a surpresa faz parte da experiência sugerida e torna a visita muito mais estimulante.
Inhotim
Este iglu abriga a obra “By Means of a Sudden Intuitive Realization”, de Olafur Eliasson.
Um bom exemplo dessa integração com o ambiente é o “Sonic Pavilion”, obra do premiado artista Doug Aitken, que se assemelha a um disco voador aterrizado no alto de um morro. Se o lado externo já impressiona, o interior não deixa nada a desejar. No centro do pavilhão redondo com paredes de vidro há um furo no solo de 200 metros de profundidade. Dentro dele foram instalados cinco microfones de alta sensibilidade que captam os sons do interior do planeta e amplificados por vários alto-falantes distribuídos ao redor das paredes internas da instalação. É uma experiência única ouvir os sons da Terra e admirar a bela paisagem que se vislumbra lá de cima.
Inhotim
“Sonic Pavilion”, obra do premiado artista Doug Aitken.
A menos de 100 metros do pavilhão sonoro de Aitken, uma trilha leva até a “De Lama Lâmina”, obra criada pelo artista norte americano Matthew Barney. Construídos no meio de uma floresta de eucaliptos, os domos compostos de vidro e aço abrigam um enorme trator esmagando uma árvore, cujo conceito representa o conflito entre a tecnologia e a natureza. Os reflexos formados nos vidros espelhados dos domos geram interessantes imagens distorcidas da obra.
Inhotim
“De Lama Lâmina”, obra criada pelo artista norte americano Matthew Barney.
Mais um ótimo exemplo de integração é a “Beam Drop Inhotim”. A construção da obra, no alto de uma montanha, durou 12 ininterruptas horas e consistiu no lançamento de 71 vigas de aço dentro de uma enorme poça de concreto fresco, sob o esforço de um guindaste com 45 metros de altura. O aspecto final da obra do artista Chris Burden é um instigante amontoado de vigas alinhadas de forma aleatória. Ao vê-la lembrei-me imediatamente da Fortaleza da Solidão apresentada no filme Superman, estrelado por Christopher Reeve e exibido em 1978.
Inhotim
“Beam Drop Inhotim”, obra do artista Chris Burden.
E mais surpresas vão surgindo ao longo do percurso, como a “Troca-Troca”, obra composta por simpáticos fuscas coloridos alinhados em um extenso gramado, as esculturas sem cabeça assinadas por Edgard de Souza e as imponentes paredes simétricas da “Penetrável Magic Square # 5”, de Hélio Oiticica.
Inhotim
No Inhotim as obras surgem ao longo do percurso.
E o Inhotim estimula outros sentidos além da visão. Ao contrário de alguns museus onde não se pode tocar em absolutamente nada, lá algumas obras foram justamente com essa intenção. É o caso de certas obras de Cildo Meireles. Em “Através“, o artista utilizou objetos e materiais utilizados para recriarem barreiras, como cortinas de plástico, arame farpado e até aquários, formando um labirinto com o chão totalmente coberto por estilhaços de vidros. É uma sensação especial caminhar sobre os pedaços de vidro para examinar cada parte da obra. Os sons emitidos pelo choque dos pés, devidamente calçados, e os vidros, causam inicialmente um sentimento de aflição. Mas após alguns instantes, com os ouvidos ambientados aos sons dos passos, a sensação é de admiração!
Inhotim
“Através”, obra de Cildo Meireles.
A mesma alternância de sensações ocorre com outra obra de Meireles, “Desvio para o vermelho“, composta por ambientes monocromáticos. Após o espanto inicial de ver  todos os móveis, objetos e chão impregnados por um  vermelho vivo, surge o prazer de descobrir cada canto dos ambientes, reconhecer objetos do uso cotidiano e até abrir uma geladeira e encontrar, lá dentro, o mesmo vermelho presente no lado externo.
Inhotim
“Desvio para o vermelho”, obra de Cildo Meireles.
Na Galeria Praça é a vez de aguçar a audição com a obra “Forty Part Motet“, de Janet Cardiff. São 40 alto-falantes dispostos ao redor de um amplo galpão e que repetem continuamente uma música composta para o aniversário da Rainha Elizabeth I em 1575. Cada alto-falante reproduz a voz do integrante de um coral e permite ao visitante perceber diferentes combinações e harmonias em cada ponto da instalação. Ao fechar os olhos, sentado em um dos bancos de madeira no centro do galpão, senti-me presente em uma apresentação daquele coral em um grande teatro.
Inhotim
“Forty Part Motet”, obra de Janet Cardiff.
Uma das imagens mais conhecidas do Inhotim é a da Galeria Adriana Varejão. O enorme edifício e seu belo espelho d´água abrigam algumas obras da artista carioca, como a “Linda do Rosário“, escultura onde partes do corpo humano substituem os tijolos para erguer uma parede. E a “Celacanto provoca maremoto“, formada por painéis que simulam os tradicionais azulejos portugueses, porém com distribuição desordenada das imagens.
Inhotim
A Galeria Adriana Varejão e algumas de suas obras.
Eu poderia escrever mais mil palavras sobre o Inhotim e, mesmo assim, não conseguiria abordar as mais de 500 obras que fazem parte do seu acervo. Aliás, o crescimento constante desse acervo nos últimos anos tornou impossível conhecê-lo, em sua totalidade, em apenas um dia. Talvez, com muita disposição, seja possível concluir a tarefa em dois dias, considerando-se ainda os muitos locais agradáveis do Jardim Botânico para revigorantes pausas. Como disse, O Inhotim não se define em uma palavra. Mas se pudesse fazê-lo, essa palavra seria:impressionante!

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sexta-feira, 26 de abril de 2013

MUSEU INHOTIM - MUSEU DE NOVIDADES

Galeria de Fotos
http://www.inhotim.org.br/








Acima, panorâmica do Inhotim e algumas de suas obras. Ao lado, da esquerda para a direita, o espelho d'água da Galeria Adriana Varejão; o colorido Penetrável Magic Square #5, de Hélio Oiticica; as estacas de Beam Drop Inhotim, de Chris Burden; e as esferas metálicas de Narcissius Garden, de Yayoi Kusama.





O projeto surgiu com jeito mineiro. Foi aos poucos sendo divulgado pelo boca a boca, cresceu, encorpou e atualmente recebe 200 mil visitantes por ano, de todas as nacionalidades. Virou uma instalação de referência no mundo das artes. Localizado a 60 quilômetros de Belo Horizonte, na cidade de Brumadinho, o Inhotim Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico propõe uma quase revolução: mudou a concepção de museu que se tinha até agora, mudou o entendimento - ou a falta dele - que o grande público tem da arte contemporânea e também está ajudando a mudar a comunidade local.


Criado em meio a uma paisagem que reúne 4.500 espécies de plantas e cinco lagos ornamentais, distribuídos por quase 5,5 km2, esse museu a céu aberto conquistou o título oficial de Jardim Botânico em 2011. Do total do terreno, localizado em uma área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, mais da metade é de vegetação nativa preservada, 1,5 km2 é Reserva Particular do Patrimônio Natural e 1 km2 está aberto à visitação.


Nesse espaço encontram-se, ao ar livre, esculturas e intervenções artísticas em pequena, média, grande e gigantesca escala. Quatro pavilhões - de 1.000 m2 cada um - estão reservados a exposições temporárias, e mais um está em construção. Treze galerias foram projetadas para abrigar obras permanentes dos artistas Tunga, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco, Hélio Oiticica, Neville D'Almeida, Adriana Varejão, Doris Salcedo, Victor Grippo, Matthew Barney, Rivane Neuenschwander, Valeska Soares, Janet Cardiff & George Miller e Doug Aitcken.

Elevazione, de Giuseppe Penone.

Inmensa, de Cildo Meireles.

Beehive Bunker, de Chris Burden.

Fuscas da obra Troca-Troca, de Jarbas Lopes

O acervo do centro possui 500 obras de 100 artistas. Começou com a coleção particular de Bernardo Paz, empresário do setor siderúrgico, dono da empresa Itaminas, produtora de ferro gusa e reflorestamento, que em 2004 passou a receber visitas agendadas na sua propriedade. Dois anos depois, foi aberto para o público em geral. Há oito anos a proposta apresentada atualmente não estava formulada. Nem mesmo hoje está concluída. "A própria prática leva à concepção do Inhotim. Ainda não chegamos à forma final. Aos poucos vamos consolidando ideias que surgem, principalmente, do contato com os visitantes", diz Maria Eugenia Salcedo Repolês, coordenadora de Arte e Educação.

Natureza e arte

Essa evolução constante está presente em algumas das novas obras inauguradas em outubro de 2011. A mineira Marilá Dardot montou A Origem da Obra de Arte com 1.500 vasos de cerâmica em forma de letras, produzidos por artesãos da região. A instalação não só permite que o público toque na obra como o convida a "plantar" palavras e frases postas à disposição para a inteiração. Em Elevazione, escultura do italiano Giuseppe Penone, a réplica em bronze de uma castanheira centenária foi apoiada em quatro árvores que a fa- Acima, da esquerda para a direita, De Lama Lâmina, de Mathew Barney; estátua de Edgard de Souza em meio ao parque; ao fundo, Boxhead, de Paul McCarthy. À esquerda, o Sonic Pavillion, de Doug Aitken, que revela sons da Terra. Abaixo, um dos bancos de madeira de Hugo França; e A Bica, de Marepe. rão "crescer". Num dos pontos mais altos do terreno, o norte-americano Chris Burden construiu o forte Beehive Bunker com tradicionais sacos de cimento da construção civil que, expostos às intempéries, irão se desgastar com o tempo e virarão estrutura de concreto.

Da esquerda para a direita, De Lama Lâmina, de Mathew Barney; estátua de Edgard de Souza em meio ao parque; ao fundo, Boxhead, de Paul McCarthy. À esquerda, o Sonic Pavillion, de Doug Aitken, que revela sons da Terra. Abaixo, um dos bancos de madeira de Hugo França; e A Bica, de Marepe.


Outros casos emblemáticos em que as obras de arte interagem com a natureza e se modificam permanentemente são: Narcissus Garden, de Yayoi Kusama, formado por 510 esferas metálicas movidas pelo vento no espelho d'água que ocupa o teto de uma das galerias; e Sound Pavilion, de Doug Aitken, que permite escutar os sons das entranhas da Terra, em tempo real, graças a um poço de 200 metros de profundidade, onde foram colocados microfones de alta sensibilidade.


"O maior diferencial de Inhotim é fazer arte e natureza dialogarem, se envolverem entre si", arremata Laura Neres, coordenadora do Núcleo de Educação Ambiental. Além de usar esse diferencial como instrumento para o trabalho, ela e a equipe de educação ambiental contam ainda com uma área especial de 25.000 m2, o Viveiro Educador. O conjunto é composto pelo Jardim dos Sentidos, de plantas medicinais, aromáticas e tóxicas; pelo Bosque da Juçara, que recria a Mata Atlântica; e pela Estufa Equatorial, que reproduz o microclima de uma floresta tropical, onde está exposta uma das joias do jardim botânico: a "flor-cadáver" (Amorphophallus titanum), a maior e mais malcheirosa espécie de flor do mundo.

Arte da inclusão

Apesar da estrutura voltada ao conhecimento e à pesquisa, faltam em Inhotim iniciativas de sustentabilidade ecológica, como a coleta seletiva do lixo. "Não adianta fazer algo para 'inglês ver'; não temos galpão para triagem do lixo reciclável, ainda", confessa Laura. "Fazemos sensibilização ambiental. Não conscientizamos ninguém, porque as pessoas mesmas é que elaboram isso, esse é um processo interior. A gente só sensibiliza. Quem conhece cuida, se apropria e valoriza."

Baseada nessa ideologia, a comunidade local, desde o princípio do projeto, vem sendo trazida para participar do museu a céu aberto. Dos 700 funcionários que mantêm a estrutura do local funcionando, 95% são das vizinhanças, mais da metade é de Brumadinho e o restante, da região metropolitana de Belo Horizonte.

Brumadinho possui 33 mil habitantes, segundo o Censo de 2010. Originou-se de um quilombo e se desenvolveu em torno da estação de trem, criada para transportar os minérios das redondezas. A versão mais provável para o nome de Inhotim deriva da possibilidade de as terras terem pertencido a um inglês de nome Tim, que, conforme uso e costume da região, era chamado "Nhô Tim". Algumas instalações da antiga vila foram mantidas, como a marcenaria que hoje abriga um relógio de sol, obra do argentino Victor Grippo, em que mesas marcam as horas, mostrando a evolução de um trabalho ao longo do dia.


Da esquerda para a direita,estátua sem título, de Edgard de Souza; e detalhe do totem Gui Tuo Bei, de Zhang Huan. Ao lado, parte do painel Abre a Porta, de John Ahearn e Rigoberto Torres. Abaixo, instalação Através, de Cildo Meireles. Na página ao lado, a Galeria Miguel Rio Branco, destinada a fotos e vídeo.


Bernardo Paz, fundador e integrante do Conselho de Administração do Instituto Inhotim, acredita que o museu- jardim é uma instalação que ajuda as pessoas a crescer mentalmente. O programa "Inhotim para todos" é um forte empenho nesse sentido, pois leva comunidades carentes para o centro de arte. Diariamente, 400 crianças da periferia visitam o espaço. Por meio da diretoria de Inclusão e Cidadania, criada em 2007, o instituto vai ao encontro da comunidade local, trabalhando ao seu lado em três frentes: revitalização musical, artística e cultural do Vale do Rio Paraopeba; desenvolvimento comunitário, visando à geração de renda; e recuperação e valorização da memória do Vale.


"Inhotim representa também a possibilidade de profissionalização em arte", destaca Maria Eugenia. Em parceria com o museu britânico Tate Modern, o museu desenvolve atualmente um trabalho de formação contínua. Cerca de 20 jovens de 12 a 16 anos pesquisam sobre arte em dois encontros por semana. Em setembro de 2012, acontecerá o encontro dos dois grupos. Se a arte contemporânea costumava ser pouco atraente aos olhos do grande público, era porque ela ainda não havia encontrado um lugar como Inhotim.

"Isso aqui nunca acaba"


"Tudo começou com uma viagem a Acapulco", conta Bernardo Paz, dono das terras, idealizador do parque e presidente do Conselho de Administração do Instituto Inhotim. "No balneário mexicano, vi um muro enorme. Subi para descobrir o que havia do outro lado e me deparei com um jardim extraordinário. Havia uma orquestra tocando, um lago enorme e um monte de gente dançando. Essa experiência marcou minha vida."


Em dado momento, o empresário resolveu se afastar das empresas e colocar profissionais à frente da condução dos negócios. Já havia adquirido a fazenda Inhotim e resolveu fazer um jardim. "Tornei-me amigo do paisagista Roberto Burle Marx, que tinha muito bom gosto e era inteligente. O jardim cresceu e eu passei a me interessar por arte. A partir de uma conversa com o artista brasileiro Tunga, percebi que a arte tem de ser política, instrutiva e interativa. E para isso precisava de espaços grandes." Para Paz, é problemático instalar obras enormes e interativas em museus dentro de cidades. "Intuitivamente, fui construindo os pavilhões e colocando as obras, e trazendo artistas para escolherem onde queriam colocá-las."


Depois de algum tempo, o empresário conta que, como museu e jardim botânico, passou a achar Inhotim elitista. "Vi que precisava introduzir conhecimento e fui buscar pessoas para ampliar as ações sociais nas artes, no ambiente e na produção de conhecimento. Não sei qual vai ser o próximo passo. Isso aqui não acaba".
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domingo, 24 de fevereiro de 2013