domingo, 16 de março de 2014

Dança contemporânea no Inhotim


Foi pensando na mulher e em sua relação com o espaço que a coreógrafa e dançarina francesa Cecile Proust desenvolveu o espetáculo femmeuseposturalE. Contando com um grupo de dançarinas profissionais e amadoras de diferentes gerações e origens, as performances exploram, por meio da dança contemporânea, questões como a construção do gênero feminino. Pela terceira vez em Minas Gerais, Cecile faz agora os ajustes finais para as apresentações que serão realizadas esta semana no Inhotim, nos dias 14 e 15 de março.

Cecile Proust – De início, o Femmeuse evoca a questão do gênero, do feminismo, da arte e as ligações que se pode fazer entre esses pontos. As performances apresentadas emfemmeuseposturalE são uma resposta feminina à peça do coreógrafo francês Fabrice Ramalingom, Postural: études, criada para um grupo de 15 homens. Elaboramos esse trabalho com coreografias apresentadas apenas por mulheres. Dentro dele, podemos encontrar influências de Odile Duboc [diretor francês] e do diretor americano Bob Wilson, com quem já trabalhei. Há diversas outras, mas a pintora e escultora brasileira Lygia Clark, também trouxe muitas referências.

CP – É difícil definir exatamente a mulher na sociedade atual, já que são milhões delas e tão diferentes entre si. Acredito que todos devemos simplesmente deixar a palavra e o espaço livre para elas. Cada mulher deve poder se expressar das diversas maneiras possíveis que é capaz. Então, devemos abrir esse espaço e deixar emergir o invisível de dentro delas. O espetáculo explora justamente isso, a liberdade do movimento da mulher dentro do espaço ocupado por ela.

CP – Nós buscamos justamente esses diferentes corpos trabalhando pela dança, e não apenas um. Dessa forma, podemos fazer emergir diferentes experiências e efeitos e observar como os corpos dessas mulheres se misturam uns com os outros durante a coreografia. Essa relação do profissional com o amador torna a apresentação única, diferente em cada movimento, e isso se reflete tanto para os bailarinos quanto para o público.

BI – Como é ter o Inhotim como cenário para essa apresentação?

CP – É formidável. Esse lugar é realmente incrível. Além disso, trabalhar coreografias que envolvam as obras Desert Park (2010), de Dominique Gonzalez-Foerster e Piscina (2009), de Jorge Macchi, como iremos fazer, é ainda mais interessante, já que ambas têm um impacto muito grande sobre o corpo, a energia e o próprio espaço. Mas, claro, todo o Inhotim é excepcional e nos causa um encantamento já de cara. Lembro-me de que na primeira vez que viemos aqui, em 2012, eu e Jacques [Hoepffner, artista visual e parceiro na elaboração do espetáculo] tivemos apenas meio dia para visitar o parque. Mas mesmo com a rápida passagem, olhamos em volta e falamos “uau!”, queremos desenvolver algum projeto aqui. Hoje isso está sendo possível.


Um laboratório emocional e intelectual, onde novas coisas vão surgindo. Essa foi a idéia de Bernardo Paz ao criar o Inhotim. Entre o acaso e o plano, o museu surgiu da paixão de uma única pessoa pela arte contemporânea e pela necessidade de tornar essa paixão algo de interesse público. Bernardo, caracterizado por muitos como um sonhador, começou com uma coleção de arte moderna. Depois de conhecer artistas como Tunga e Cildo Meireles se encantou pela arte contemporânea. “Quando comprou uma obra do Tunga, que não coube na sala, ele começou a ter que construir e se viu com um museu dentro de casa. O sucesso o embriagou e hoje o Inhotim é a vida dele”, explica o economista Cláudio Moura Castro.

“Estou fazendo um museu”, disse Bernardo Paz a seu amigo Cláudio — hoje membro do conselho de administração e presidente do conselho consultivo do Inhotim —, que ficou curioso, mas não imaginava a dimensão da proposta. “Aí eu fui lá, me apaixonei e propus a ajudá-lo”, comenta. Inhotim foi idealizado em 1984 quando recebeu a visita do renomado paisagista Roberto Burle Marx, que apresentou algumas sugestões e colaborações para os jardins. Desde então, o projeto paisagístico cresceu e passou por várias modificações.

Em 2002, foi fundado o Instituto Cultural Inhotim que, em 2008, se transformou em uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP. Inhotim ampliou sua presença como museu se tornando uma instituição que reúne diferentes linhas de atuação: Arte contemporânea, Jardim Botânico, Inclusão e cidadania. “Quando eu vi a combinação entre arte e natureza eu achei espetacular. A semente de um grande centro de arte e educação. Um grande núcleo de lazer e cultura”, afirma Claúdio.

Hoje, o Inhotim é a única instituição brasileira que expõe um acervo de arte contemporânea permanentemente. “Os artistas falaram que esse projeto só teria a relevância que Bernardo estava imaginando, se fosse um projeto público e profissional. Organizado não só por interesses e gostos particulares, mas entendendo a potência desse lugar para uma coleção artística e tentar cristalizar isso em uma linha curatorial”, completa o diretor artístico do Inhotim, Jochen Volz.

O Inhotim é um lugar que você precisa ir sem pré conceitos , não imagine um quadro perfeito , em constante mudança o lugar propõe coisas do cotidiano , do dia a dia do ser humano .
o legal do Inhotim é a sintonia da arte com o ambiente natural .


A Henrik Tour faz passeios regulares para o Inhotim





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