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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ora-pro-nobis

  • Nomes Populares: Ora-pro-nobis, carne dos pobres, beldroega-pequena (Portulaca oleracea), língua-de-vaca, trepadeira-limão, groselha-da-América, lobodo, rosa-madeira, groselha-de-barbados.
  • Trata-se de um cacto trepadeira que atinge 10 m de altura, proveniente de uma família de regiões quentes e secas das Américas. Tem folhas lanceoladas, ou seja, semelhante à ponta de uma lança, e verdejantes, flores brancas e espinhos, sendo perfeitamente utilizado para a formação de cercas-vivas, vivendo bem tanto à sombra quanto ao sol. Propaga-se por estacas. Na cactácea, flores e folhas são comestíveis, além delas, a planta oferece frutos espinhosos de coloração alaranjada na maturidade. Ramos e caules são frequentemente verdes e fotossintetizantes, também recobertos por espinhos. Devido à sua riqueza proteica, é denominada carne de pobre. Suas folhas, de sabor semelhante ao do espinafre, possuem cerca de 25% de proteína, 85% da qual em forma digestível, portanto, facilmente aproveitável pelo organismo humano. Quando picadas, essas folhas exsudam uma espécie de visgo. Refogadas ou cruas, tanto flores quanto folhas se prestam a alimentação humana, podendo ser aproveitadas também por animais, in natura ou na ração. Com as folhas adicionadas à farinha, se faz nutritiva massa para pães. Delas também se fazem tortas, omeletes e suflês. No interior de Minas Gerais, onde é muito apreciada, é misturada ao feijão, combinada com o angu, cozida com galinha (à cabidela) ou usada em substituição às folhas de couve. Fica bem no acompanhamento de carnes suínas e de aves, como as costelinhas e o frango, em que a planta é utilizada sem o talo. Das flores se faz proveitosa salada, além dos refogados. Por ser um vegetal rico em ferro, ajuda a curar anemias graves. As folhas secas moídas podem ser usada como tempero, substituindo o orégano. Usada no preparo da farinha múltipla, a planta é um complemento nutricional usado no combate à fome.
  • O nome científico homenageia o cientista francês Nicolas Claude Fabri de Pereisc, e o termo aculeata significa espinho, agulha; o nome popular, ora-pro-nobis (“rogai por nós”) vem do latim e se deve ao fato de, segundo a lenda, nos tempos do ciclo do ouro, na Vila de São José, onde hoje se tem Sabará, São João del-Rey, Ouro Preto e Tiradentes, padres europeus residentes, aproveitando a robustez dos espinhos espalhados por toda ela, fazerem cercas vivas com a planta para circundar as igrejas. Em pouco tempo, as qualidades gastronômicas do cacto já eram conhecidas, sobretudo pelos mais pobres do local, que passaram a consumir as folhas como mistura na alimentação diária, fazendo com que ficasse conhecida como carne dos pobres, também por conta de suas proteínas. Sem o desejo de verem desfolhados seus arbustos cactáceos, os padres vigilantes estavam sempre de prontidão na defesa das cercas. Somente baixavam a guarda durante os sermões da missa, rezada em latim, momento em que os desvalidos apreciadores da iguaria aproveitavam para fazer sua colheita. Durante o sermão, na ladainha em que se pede aos santos para rogarem por nós, a frase em latim era repedida – ora pro nobis – servindo de deixa e de nome ideal para o alimento recém-descoberto. A ladainha de todos os santos estendia-se por longos minutos, e dessa grande oração tem-se o seguinte trecho:

  • Christe, exaudi nos. 
  • Pater de caelis Deus, miserere nobis. 
  • Fili Redemptor mundi Deus, miserere nobis. 
  • Spiritus Sancte Deus, miserere nobis. 
  • Sancta Trinitas, unus Deus, miserere nobis. 
  • Sancta Maria, ora pro nobis.


(31) 94316649 / 85992160 
henriktour@hotmail.com

domingo, 7 de abril de 2013

Comida mineira




A culinária mineira é famosa por pratos diversificados como o frango com quiabo, costelinha, fígado acebolado, feijão tropeiro, tutu de feijão e muitas outras delícias (só de falar já ficamos com água na boca). Muita gente quando vem para Minas pergunta logo onde está aquele restaurante de comida bem mineirinha. Mas não é qualquer restaurante de esquina de Belo Horizonte que tem AQUELA comida mineira que desejamos. Nem todas tem aquele sabor, aroma e o segredinho mineiro. É preciso conhecer onde estão as maravilhas da culinária mineira. Por isso, quando recebemos algum turista à procura de boa comida mineira ou simplesmente quando estamos com vontade de comer um delicioso frango a molho pardo nossa escolha é o Restaurante Maria das Tranças.

Restaurante Maria das Tranças




O Restaurante Maria das Tranças é um dos mais tradicionais de Belo Horizonte. Foi fundado em 1950 com o nome de Bolero pela dona Maria Clara Rodrigues, num estabelecimento no bairro São Francisco. Algum tempo depois, mudou de nome para Maria das Tranças devido ao penteado da fundadora. A Dona Maria Clara era responsável por criar os pratos, dentre eles o famoso frango ao molho pardo. O prato ficou tão conhecido que foi apreciado por estrelas da música como Vinícius de Morais e Elis Regina e também por importantes políticos. Um apreciador de destaque era o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, fã declarado do frango ao molho pardo e frequentador assíduo que acabou se tornando amigo da proprietária. Para quem duvida, na entrada do restaurante você já encontra uma foto do JK saboreando o frango ao molho pardo. 




O carro chefe do restaurante é o frango ao molho pardo. Difícil achar outro restaurante que tenha este item no cardápio. E se tiver, arrisco a dizer que não será tão apetitoso quanto o do Maria das Tranças. O frango ao molho pardo vem acompanhado de arroz, quiabo e angu. Simples assim, mas delicioso como nunca se viu! No cardápio, as opções de escolha do prato são bem flexíveis. Você escolhe quantos frangos você quer e para quantas pessoas (esse número de pessoas reflete na quantidade dos acompanhamentos). Aproveito para ressaltar que o prato é muito (mas muito!!!) farto. Para se ter ideia, já pedimos um frango para três pessoas que serviram 5 pessoas e ainda levamos alguns pedaços do frango para casa.  (Bem lembrado, o Maria das Tranças embala o que você não aguentar em uma vasilha de plástico personalizada. Não queria contar mas aqui em casa já tem coleção dessas embalagens!
Frango ao molho pardo acompanhado de arroz, quiabo e angu
Frango ao molho pardo, arroz, quiabo e angu

Para aguardar o frango ao molho pardo ficar pronto, uma boa pedida é a porção de pastéis de angu nos sabores queijo ou frango. Para quem não sabe o que é pastel de angu, é um pastel bem mineiro feito com massa de angu e recheado de diferentes sabores. (Explicamos porque uma vez uma pessoa nos perguntou se era um pastel comum recheado de angu!  Gostamos de pedir porção mista para comer um pouco dos dois. O restaurante também oferece outras opções de tira-gosto.

Pastéis de angu




E para beber, a nossa recomendação é experimentar os refrigerantes mineiros. O restaurante serve Mate Couro, um refrigerante que mistura guaraná com as as ervas mate e chapéu-de-couro. Outro refrigerante mineiro é o Guarapan, feito de maçã, mas seu gosto não lembra nada de maçã. O Guarapan é da Coca-Cola porém só é vendido em Belo Horizonte e região. Todos os dois são bem docinhos.

Mate Couro – Refrigerante Mineiro





O restaurante possui duas unidades em Belo Horizonte: a mais antiga e tradicional no Bairro São Francisco; e a mais nova e mais charmosa na Savassi. A unidade Savassi manteve a fachada tradicional de uma casa antiga.

O acervo fotográfico do ex-presidente é tão numeroso que criaram a Adega Kubitschek, um espaço dedicado a fotos e histórias de JK.

Adega Kubitschek




Recomendamos o passeio, seja para apreciar uma boa comida ou para conhecer mais sobre história e política. Coisas que nós  mineiros gostamos!

Ah, o restaurante tem Wi-Fi!

O restaurante também tem serviço de entrega.

Endereço:
Unidade Savassi: Rua Professor Moraes, 158
Unidade São Francisco: Rua Estoril, 938

Site: http://www.mariadastrancas.com.br/






(31) 94316649
henriktour@hotmail.com

terça-feira, 12 de julho de 2011

ORAPRONÓBIS, AROMA E SABOR BRASILEIRO



Onde se planta, nasce. Quando cresce, serve de proteção e alimento. Repleta de flores, ainda deixa o ambiente mais bonito. Por meio da hortaliça ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), a natureza oferece múltiplos benefícios ao ser humano, o que seria motivo suficiente para a escolha de seu nome popular. Mas, conta-se que assim foi batizada pelo costume de ser colhida no quintal de uma igreja, para ser preparada para o almoço, quando o padre iniciava a reza final da missa da manhã. "Rogai por nós" em português, ora-pro-nóbis é uma frase em latim nem sempre facilmente assimilada. Por isso, pode ser comum encontrar derivações dela, sendo por vezes chamada lobrobó ou orabrobó por agricultores de Minas Gerais, onde a planta é muito difundida na culinária local. Originária do continente americano, encontram-se variedades nativas dessa hortaliça perene, rústica e resistente à seca da Flórida, nos Estados Unidos, à região sudeste do Brasil. De fácil manejo e adaptação a diferentes climas e tipos de solo, produtiva e nutritiva, a ora-pro-nóbis é uma boa alternativa para produtores iniciantes no cultivo de hortaliças.

Costelinha com Ora-Pro-Nóbis

Ingredientes:
1 kg costelinha porco picada
2 1/2 litros água
1 colher (sopa) gordura
1 colher (sopa) sal com alho
1 cebola média ralada
1 colher de urucum
1 folha louro
1/2 cálice cachaça
1/2 cálice limão
Ora-pro-nóbis picado
Cheiro-verde
Pimenta

Preparo:
Lave as costelinhas, coloque em uma panela, cubra com água, junte a cachaça e o limão
Leve ao fogo para uma leve fervura.
Escorra e reserve.
Leve ao fogo uma panela
Aqueça a gordura e junte as costelinhas para fritar levemente.
Retire o excesso de gordura que ser formar, acrescente o sal com alho, a cebola e por último o urucum. Deixe pegar cor, pingue água, junte a folha de louro e tampe.
Deixe cozinhar e vá pingando mais água, até a carne amaciar bem e formar um caldo suculento.
Acerte o tempero e retire do fogo.
Lave e escorra o ora-pro-nóbis, pique e cubra as costelinhas.
Não mexa.
Sirva com angu e arroz com alho.

Frango com ora-pro-nóbis

Ao longo do legendário rio das Velhas, afluente do Velho Chico, nasceram arraiais que se transformaram em vilas e depois em cidades. Desde o século XVII, as águas vêm servindo como condutor da civilização, cultura, usos e costumes. E, claro, da força da culinária. Municípios como Rio Acima, a 36 quilômetros de Belo Horizonte, conservam receitas tradicionais, que passam de geração a geração, sem perder a originalidade. O frango capiria com ora-pro-nóbis atravessa séculos conquistando legiões de admiradores. Célia Apolinário de Aguiar, de 69 anos, dona de restaurante na cidade, faz a iguaria. Ao lado das filhas Patrícia e Helena Cristina, e das netas Monique e Laís, Célia lembra que, para agradar, o frango tem que ser caipira. O resto, certamente, fica por conta do seu talento na cozinha. O ora-pro-nóbis também tem papel de destaque. Rico em proteínas, é chamado de “carne do pobre”. Conta a história que, nos tempos coloniais, as igrejas eram cercadas pelo vegetal, mas os padres não deixavam que fossem colhidas. Então, durante a longa oração do ora-pro-nóbis, as famílias aproveitavam para apanhar as folhas e garantir o almoço. Melhor para o povo, que inventou pratos ricos, nutritivos e criativos.
Como fazer
Refogue o frango e coloque os temperos. Quando estiver pronto, coloque o ora-pro-nóbis e abafe (feche com a tampa da panela). Deixe ferver durante cinco minutos. Servir com angu, feito de fubá de moinho d’água, e arroz com feijão.


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